quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Clouds




Ponha a mão à palmatória

Se nunca

Paranoias lambisgoias

Trotaram em suas memórias

Pra ver

Se amanheciam

Histórias

domingo, 27 de novembro de 2011

Esperando Godot versão ‘fuck my face, it’s free’ (ou teatro do absurdo no blog dos outros é refresco)





Jorge e Jeniffer, que depois vocês vão ver quem são, conversam:

-O que não fazemos por uma boa foda?
-A pergunta tá errada.
-Como?
-O certo seria perguntar: que tipo de coisa a gente faz para garantir uma boa foda?
-Dá no mesmo, filha.
-Dá nada.
-No fundo, o importante, pruma pessoa como você, é dar.
-É dando que se reflete.
-Ah, isso é.
-Foda isso.
-É, foda.
-...
-...
-...
-...
-Onde se compra camisinha feminina?
-Alguém usa aquilo?
-Deve ter alguém que use.
-Você aprendeu a usar?
-Não.
-Conhece alguém que use?
-Não. Você conhece?
-Não.
-Nunca fomos assim tão bem relacionados...
-É, nunca...
-...
-...
-...
-...
-No Mundial a Stella Artois tá 1,99.
-Por isso te disse, quando você quis virar evangélica, que não dava pra aceitar Jesus nesses termos.
-Você tinha razão.
-E quando eu não tenho razão, filha?
-Aí você teria que me dar um tempo pra pensar na resposta.
-...
-...
-...
-...
-Pensou?
-Não, que horas são?
-Hora de parar com essa prosa antes que ela vire uma D.R.
-Mas D.R. é só pra quem tem relação, nós somos amigos.
-Será que existe D.R. após a morte?
-Não fala isso nem brincando, homem!
-Não me chama de homem que eu fico de pau duro.
-O pau é seu, não posso fazer nada se ele fica duro.
-Pode sim.
-Não começa.
-Posso então terminar?
-...
-...
-...
-...

FIM (SERÁ?)

PS: Em nome da sub-gerência, pedimos desculpas pela supressão da descrição dos personagens Jenifer e Jefferson, prometida no início desse post, mas, por questões estéticas, ela acabou caindo na edição. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Dez coisas que, ao nos encherem de alegria, provam que nosso coração é côncavo



1)Saber que uma grande amiga está grávida.

2)Ver de camarote um(a) pupilo(a), a quem você ensinou tudo que sabia, arrasando.

3)Encontrar uma resposta onde nem sabia haver pergunta.

4)Mergulhar em matizes invisíveis e delas fazer seu próprio arco-íris.

5)Subverter a matemática ao dar o que era pra ser recebido.

6)Nadar em águas desconhecidas sem bote salva-vidas.

7)Ter a certeza de que é na dúvida que se escala a montanha da confiança.

8)Entender que o sal de cada lágrima um dia será um tempero e tanto.

9)Pensar em projetos como crianças que estão aprendendo a andar.

10)Ter alguém para dividir o pão, nem que seja o que o diabo amassou.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Portuguesando




O que foi que o acento falou pro sujeito?

-Quer moleza? Senta na oração subordinada!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Fever




*inspirado em frase de Mario Lago


Quando se está doente

Ou descontente

O mínimo que se pede

É uma coincidência

(Quiçá uma indecência)

Algo que extraia da paciência

A capacidade de nadar na crise

E de impedir

Que o último a sair

Apague o arco-íris

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Uai?


Quem vai perguntar pra falta

Por que ela é a mais alta

Das presenças?

Ou pro hai cai

Por que ele é a calma

Da essência?

Quem não se importa

Em ver morta a paciência?

Em cantar em alto brado

Retumbantes conivências?

Um sujeito

Pra que faça tudo isso

Ou no fundo é muito arisco

Ou lhe falta experiência

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Estopim


desenho via danielamariamartins.blogspot.com


-Fecha os olhos e abre a mão.

-É surpresa?

-O que você acha?

-Acho que é surpresa.

(PAUSA PARA OLHARES LÂNGUIDOS).

-Sabia que eu acho isso muito legal?

-Isso o quê?

-Isso de você ser uma menina de opinião.

-Como assim menina de opinião?

-Ah...

-Ah o quê?

-Ah, todos os assuntos, qualquer assunto, outro dia você ficou conversando com meu pai sobre o Carpegiani.

-Craque.

-Tá vendo?

-Tá vendo o quê?

-Opinião pra tudo.

-Mas dizer que o Carpegiani era craque não tem nada de opinião, tá mais pra categoria dos fatos do que das opiniões, se me permite (aí sim) uma opinião.

-Hahahahahahaha.

-Quê foi, risadinha?

-Hahahahahahaha.

-Quê foi?

-Nada.

-...

(PAUSA PARA PEQUENO TOQUE DAS MÃOS).

-Será que agora você poderia fechar os olhos e abrir a mão?

-Ah, claro, a surpresa.

-Hahahahahahaha.

-Se é que se trata de alguma surpresa, pode ser só o seu certificado de reservista.

(PAUSA PARA RISADAS MÚLTIPLAS)

Óbvio que não era certificado nenhum.

Aliás, o que era ou deixava de ser não importava em absoluto, pelo menos não pra eles, que pareciam achar bacana esse espaço localizado entre fome e a vontade de comer.

Onde quem fala mais alto é a língua dos relevos.

Mas quem manda mesmo são as faíscas.

E, é claro, as curvas.