segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Figuras
-Qual de nós duas o Particípio Passado escolheria pra casar?
-Eu, é claro!
-Por quê?
-Porque parte pelo todo é coisa de anoréxica e Particípio é do tempo que homem gostava era de carne.
-Té parece que é muito gostosa você...
-Nem preciso!
-Ah, não?
-Minha cara, quem pode se comparar ao que quiser, tá com tudo e não tá prosa...
-Metida!
Mal sabem elas que Particípio tá de olho é em Hipérbole.
Porque, mesmo sem admitir, homem gosta mesmo é de fartura.
domingo, 15 de novembro de 2009
A estranha história de Maria de Souza Provisória e João de Aquino Longo Prazo
Quando Maria de Souza Provisória e João de Aquino Longo Prazo se conheceram não se deram conta do que estava por vir. Oriundos de famílias com criações antagônicas, nem perceberam como foi que se encantaram tão rapidamente um pelo outro. Nada ali parecia ter chance de dar certo, já que ela, entusiasta inconteste das trepadas fast-food, da solteirice festiva e dos personal fuckers, nunca teve muito saco pra rapazes como ele, adepto das relações longas, da hipocrisia construída e da fidelidade aparente. O que a princípio era pra ser um encontro inóspito, rapidamente se transformou numa intimidade lancinante, digna de comédias românticas estreladas por Hugh Grant e Julia Roberts.
Pela velocidade com que tudo acontecia, parecia que ali se estabeleceriam laços duradouros.
Que nada.
Desgastado por um casamento desfeito, João, com a conivência de Maria, passou a falar além do que precisava ser dito a uma mulher sexualmente ativa. Já Maria, desgastada pelo sexo casual, passou a fazer planos além dos recomendados a qualquer mulher.
Como a coragem é o medo disfarçado de sábado de carnaval, um belo dia, depois de uns drinques e torcendo pra parecer despercebida, Maria dá um basta na sessão “fala que eu te escuto” protagonizada por João. Já João, que não tinha bebido nada, dá um basta em Maria, fazendo com que aquela quarta-feira, de uma hora pra outra, ficasse para lá de cinza.
No final, mesmo sem ter tido a chance de desabrochar como casal, os dois perceberam ter sido vítimas do encantamento agudo que só os Provisórios conseguem despertar naqueles que carregam o Longo Prazo como herança.
Parece que, agora, Maria é só de Souza e, João, é só de Aquino.
Azar o deles.
Quem mandou acreditarem que o mel do fundo do pote é mais doce que o da tampa?
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Dez coisas que meninos bacanas precisam saber sobre o telefone
2) Meninas que comentam “a gente se fala” depois do terceiro chopp estão querendo dar o telefone pra você
3) Meninas que perguntam “qual seu signo” depois do quinto chopp estão querendo dar mais que o telefone pra você
4) Não pega bem ligar pra moça num dia dizendo que vai tornar a ligar e depois sumir como por encanto. Vai ficar sempre no ar a ideia de que você não vale muita coisa
5) Não adianta culpar Eva nem a maçã: não foram elas que inventaram as chamadas não-atendidas
6) Se o sexo foi incrível e você está com medo de se envolver, evite dizer isso pra moça, muito menos pelo telefone. Soa pretensioso demais
7) Se for pra falar de mulher, ligue prum amigo homem
8) Se for pra falar de homem, ligue pruma amiga mulher
9) Se for pra reclamar da vida, ligue pro seu terapeuta
10) Nada substitui o olho-no-olho
PS: Quando se trata de deixar recado no celular, o menos é sempre mais.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
A mesóclise e o gerúndio
Mariângela e Jacinto moram juntos há um ano. Ela é pesquisadora de conteúdos midiáticos. Ele, operador de telemarketing. Ela adora uma mesóclise. Ele não vive sem um gerúndio.
Ultimamente, inclusive, Jacinto pôde estar preparando vários chás de camomila para Mariângela estar melhorando de seus intermináveis enjoos matinais.
Jacinto é bom e atencioso e o sexo entre eles é um pretérito quase perfeito. O enjoo é devido à gravidez de 8 semanas e Mariângela tem sérias dúvidas se seus eruditos gens combinam com os do rapaz.
O fato é que não passa um dia sem que ela sinta vergonha dele.
Na fila da clínica, escuta seu nome, se concentra na música do Roberto Carlos que toca ao fundo e deixa apenas uma lágrima escapar quando sente que tudo acabou.
Toma um sundae de chocolate, compra um rímel e liga para Jacinto avisando que as coisas dele estão na portaria.
Se ela pudesse (e quisesse), até fá-lo-ia feliz.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Dez coisas que meninas bacanas precisam saber sobre o telefone
2) Meninas que dão o telefone na maior parte das vezes esperam que ele toque
3) Não adianta se revoltar com Graham Bell: não foi ele quem inventou os babacas
4) Se ficou na dúvida se atende ou não uma chamada, não atenda. Deixe pra conversar ao vivo
5) Se ele te ligava direto e parou de fazê-lo, provavelmente é bipolar e você escapou de boa
6) Quem espera ligação nunca alcança nada
7) Receber uma ligação de um ex e, distraidamente, não reconhecer o número nem a voz dele, às vezes pode ser melhor do que sexo
8) Um telefonema na hora certa, com a entonação correta, pode mudar seu dia
9) Na dúvida, ligue pra sua mãe, que ela tá mais acostumada com suas neuroses
10) Se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro
PS: Quando se trata de telefonemas na madrugada, geralmente o combustível é o álcool.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Em foco
Na ciranda das formas escondo tudo que há anos busco
No silêncio das frustrações descubro tudo que há anos sou
Na calada da noite entendo tudo que há anos calo
Saber ficar parado é uma arte
Movimento é pra quem pode
Ser feliz é uma questão de foco
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
O peso e a leveza
A leveza é a natureza do papel
É a desculpa da escrivaninha pra existência das pastas
O peso, como precursor das pastas, é estágio probatório
A leveza, como voo imaginário de papéis, é estágio avançado
Juntos desde sempre, já não tentam mais arrumar desculpas para ainda estarem casados
Simplesmente coexistem, ansiosos pelo futuro
Como papéis em branco na infinita procura de qualquer coisa que lembre uma assinatura
