quarta-feira, 25 de maio de 2011

Personal fucking me (pro Clube da Leitura)

imagem via laborda.tumblr.com


Esse negócio de ter estilo é um problema sério. Eu diria até, da forma dramática que me é peculiar, que chega a ser uma espécie de bina estética, uma assinatura indelével, quase virtual, se virtual não tivesse assumido o sentido que assumiu de umas décadas pra cá, naturalmente. Resumindo, se é que dá pra deixar de ser prolixa, eu preferia ser uma mulherzinha comum e ter um final de semana trivial, um pouco de bicicleta no aterro, um vinho de leve e uma trepadinha monumental. Mas meu fim de semana de trivial não teve nada. Comecei, como não poderia deixar de ser, queimando a largada. Combinado um cinema com o gatinho, tratei de me atrasar, que ser pontual às vezes cansa. Pra quê? Cheguei e ele tava com uma tromba desnecessária, pronto, abri mal a noite, entrei com o pé esquerdo na sexta e, ainda por cima, tava toda de preto. Lembro de alguém ter me dito que isso não era bom, que na sexta o ideal era andar de branco. Acho que foi uma amiga macumbeira que tive na faculdade. A mãe dela comandava um terreiro em Inhaúma, uma vez ela me levou lá e me disseram que eu era filha de Ogum. Essa amiga eu nunca mais vi. Mas, voltando ao final de semana, apesar da tromba de cima, dei pro bofe, que a tromba de baixo não era de se jogar fora. Sempre tive queda por paus expressivos e esse em especial quase dizia bom dia em manhãs de sol. Sábado foi aquela coisa, ovos mexidos, café com leite, beijos com bafo de vinagre, trepadinha quase monumental. À tarde vim pra casa e, na tentativa de não me entregar ao sedentarismo, fui caminhar, pra queimar umas calorias, que depois dos vinte e cinco, o metabolismo dá uma caída e não é bom ficar muito parada, ainda mais em se tratando de uma quase intelectual como eu. À noite achei melhor me poupar, mas o telefone tocou e mudei de opinião, quando dei por mim, eram oito da manhã e eu pedia a saideira na Lapa, me sentindo uma ilha cercada de respostas por todos os lados.

O domingo foi dedicado ao chá de boldo, à carqueja e à água-de-côco, parceiros dos que pensam que cachaça é água. Pra fingir que tava viva, passei na locadora e peguei um filme dos irmãos Cohen. Chegando em casa, banho tomado, certezas formuladas, toca o telefone, era a trepadinha quase monumental querendo um flashback de sexta. Pensei imediatamente que os flashbacks não são mais como eram antigamente. O povo sente saudade das coisas muito rápido. Deve ser pra poder esquecer mais rápido ainda e continuar pisando fundo, até ter de parar, de cara pro abismo, que diante dele ninguém acelera.

Só os cegos.

Ou os que têm muito estilo.

Um comentário:

Diogo Lyra disse...

então você não deu pro cara a segunda vez?