segunda-feira, 10 de março de 2008

Distância de segurança

Anderson e Fernanda se conhecem há bastante tempo e fazem um monte de coisas juntos, na maior amizade. De umas festas pra cá, no entanto, provavelmente por conta dos hormônios, ele começou a achar natural friccionar seu corpo no dela na pista de dança. Já ela, por sua vez (provavelmente também por conta dos hormônios), curtiu essa coisa moderna de se esfregar no amigo.

Passadas umas seis festas, o paradoxo já tinha se estabelecido: Anderson continuava como sempre esteve, enquanto Fernanda jazia úmida em seu quarto a cada vez que se lembrava daquela animação toda. Como a situação exigia um terceiro olho, chamou uma amiga pra dar o veredicto:

-Já sei o que está acontecendo!
-Então me diga!
-Ele te acha cheirosa, admirável, gente fina, gostosa e se amarra na tua companhia, né?
-Acho que sim.
-Mas não tem vontade de te comer, filha, esquece!
-Será?
-Baby, veja as coisas como elas são de fato e não pela ótica da Cinderela, ok?
-Tá, mas acho estranho esse comportamento. Não vejo ele fazer isso com nenhuma outra amiga...
-Estranho é, sem dúvida! Senão uma garota tão bem comida como você não estaria assim, à flor da pele...
-Pois é, menina, que situação!
-Se ele quisesse, já teria rolado, bela.
-Às vezes fico achando que ele pode sentir medo de mim, me achar muita areia pro carrinho de mão dele. Sabe como é, mal ou bem, sou uma intelectual...
-Pode ser também, mas sei lá, homens costumam agir, mesmo estando apavorados. É a lei da selva!

Concordando em gênero, número e grau com a amiga, Fernanda sacou aquilo que já estava muito claro: o moço tinha um jeito peculiar de se expressar. E só. Sacou também que, de agora em diante, para manter sua amizade com ele, teria que partir para uma tomada delicada de atitudes. Sem perder a ternura, obviamente.

Porque alguns homens são como caminhões: demandam uma certa distância de segurança.

Um comentário:

floratomo... disse...

é... essas amizades em techinicolor...